quinta-feira, 22 de junho de 2017

DEPENDE DO PONTO DE VISTA


POR JOYCE BOECHAT HENRIQUE DE PAULA


Abri a janela e olhei pra frente. Nenhum sol, dia normal. Apesar de algumas nuvens embelezando o céu, não tinha nada de mais. Muitos prédios, comércios, coisas e pessoas.
Fiquei na janela um tempinho olhando, respirando fundo a poluição da capital...até que reparei um solzinho vindo de lado, bem de leve. Coloquei a cabeça pra fora da janela...e o vi!! O sol tava lá, dando "tchau" pra quinta feira, certo de que cumpriu o que tinha pra fazer hoje. Me senti engraçada por estar feliz em ver o sol. Mas é isso. Eu não tinha visto antes de procurar. E por isso logo concluí que o dia era "como outro qualquer". Mas, na verdade, nunca é!
E dependeu só de mim. Ninguém mais.

Foto: Joyce B. Henrique de Paula



sábado, 7 de janeiro de 2017

LAMENTO DO DESEJO

Num olhar da psicanálise, Soraia Souza Rodrigues escreveu* que o desejo não se trata de algo a ser realizado e que na descoberta de si, descobrimos a falta (nunca completada) e precisamos lidar com a frustração constante...

Lamento não enxergar no cosmos a completude de mim.
Lamento não suportar a frustração da falta... já que o desejo não será abastado sua demanda.
Lamento que o outro seja cobrado pelo que desejo, já que o desejo é de mim.
Lamento o egoísmo do desejo ao idealizar a demanda...
Lamento de mim...
 
http://www.psicologia.pt/artigos/textos/TL0158.pdf

 

sexta-feira, 11 de março de 2016

Expectativas frustrantes do ser

Quem é o outro para mim ? Sartre traria uma resposta bastante negativa a esta pergunta, sendo seguido por J. Lacan.
O outro é o ideal de mim. O meu espelhamento. Desejamos no outro uma continuidade de nós mesmos. Nos agradamos em conviver com quem pensa igual ou com quem concorde com tudo o que diga ou penso.
Idealizamos o cônjuge. Queremos nossas respostas carimbadas nos lábios dele. Queremos que o caminho trilhado por ele seja sempre chancelado pelas nossas pegadas. Assim é mais fácil. Não é preciso questionar a mim mesmo. Não sou contrariado nos meus desejos. No mito de Narciso o que é apaixonante é a própria imagem.
Idealizamos os filhos. Queremos que eles cumpram missões frustradas que não pudemos cumprir. Lançamos profecias sobre eles, lhes pesando os ombros com coisas que não deles, são nossas. Por vezes isso pode fazer bem, mas na maioria, não.
O outro é o maior desafio para a convivência saudável. O questionamento de nós mesmos naquilo que nos é tolerável... assim nascem as redes sociais, os grupos de ajuda, as comunidades religiosas, os times esportivos: aglutinação naquilo é essencial e respeito nas diferenças que não essenciais.

Mas o que é essencial?

domingo, 22 de novembro de 2015

CACOS

Tenho esse blog para extravasar emoções: quando muito, quando me entorna, quando transborda, então, buscar transformar esses afetos em palavras me coloca no eixo, me dá luz ao reencontro do caminho.
"Cada um sente de um jeito as coisas..." ouvi isso hoje.
Em algumas décadas atras ouvi que somos chamados a ajuntar cacos, mas não somos chamados a cuidar para que não se quebre... então, quando se vive os riscos de se quebrar não há busca de manutenções;  quebra dos acordos, das relações, das verdades de que se crê.
Ajuntar cacos é o que se há fazer depois que está quebrado. Não há outro caminho. Limpar, descartar ou reciclar e tocar a vida... o que se foi, foi. Não há mais. Há memórias, não há inteiros.
Quando há cacos, não há mais interice, se der para colar os cacos, serão cacos colados, não o inteiro.
O que resta ? Resta a essência, como diria Aristóteles. Os cacos são acidente do acidente. A essencia: areia; o acidente: a peça; outro acidente: os cacos.
Mas no trabalho de ajuntar cacos há que machucar ... necessário é ajuntar...

terça-feira, 7 de julho de 2015

MORTE E VELÓRIO

Hoje, mais uma vez fui atravessado pelos afetos vividos em um luto...Nos olhares trocados... no choro compartilhado...
Não conhecia o senhor que faleceu... mas não precisava disso para fazer idéia dos sentimentos ali experimentados: já sepultei meus pais; já me despedi de amigos; já celebrei várias despedidas. Já chorei muita gente da minha história, da minha caminhada; gente que compartilhou sorrisos, abraços, amores...
Penso que o choro do velório é uma antecipação da saudade. Não o veremos mais, contamos agora só com as imagens: as de fora de nós e as de dentro também.
Porque será que nos chocamos tanto com a morte, se é a agenda absoluta de tudo que é vivo? Uma das certezas mais presentes em nós é a de que morreremos!
Duas questões vêem ao meu encontro na tentativa de cuidar de mim nesse frágil momento: A primeira, de que não fomos criados para morrer; a segunda, de que todo sepultamento nos provoca ao espelhamento da nossa própria finitude.
No livro do Eclesiastes, livro da Bíblia que traz reflexões sobre a vida e a morte, traz-nos que o Criador nos fez com eternidade dentro de nós (cap. 3 verso 11); não nos quedamos à morte, queremos a vida. Fugimos daquela e agendamos constantemente esta.
Cada velório sepultamos um pouco de nós. A terra que é jogada no ritual  da despedida é o ensaio daquela que nos espera.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

DO APITO DO TREM

Ouvi agora há pouco um apito do trem...
Apito de trem apita minha infância...
EFVM-Estrada de Ferro Vitória a Minas.
Caminho entre dormentes a catar bolinhas
de minério para brincar de estilingues...
Tiro ao alvo. Não gostava de matar passarinhos.

Apito de trem apita viagem. Férias. Cheiro de mar.
Apito de trem apita amizades de viagem.
Batepapo, flertes, paixões do verão...

Apito de trem apita casa do vovô,
irmãs, cunhados e sobrinhos...
Apito de trem apita movimento, mudanças,
sem sair dos  trilhos...

Apito de trem apita aventuras !

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Noites e Nostalgias

As noites refrescam o dia... por vezes, aliviam a alma...
Como bem afirmou uma amiga: "Noites nostálgicas, tantas lembranças... 
a saudade só faz apertar... orgulho de minhas origens..."