Hoje, mais uma vez fui atravessado pelos afetos vividos em um luto...Nos olhares trocados... no choro compartilhado...
Não conhecia o senhor que faleceu... mas não precisava disso para fazer idéia dos sentimentos ali experimentados: já sepultei meus pais; já me despedi de amigos; já celebrei várias despedidas. Já chorei muita gente da minha história, da minha caminhada; gente que compartilhou sorrisos, abraços, amores...
Penso que o choro do velório é uma antecipação da saudade. Não o veremos mais, contamos agora só com as imagens: as de fora de nós e as de dentro também.
Porque será que nos chocamos tanto com a morte, se é a agenda absoluta de tudo que é vivo? Uma das certezas mais presentes em nós é a de que morreremos!
Duas questões vêem ao meu encontro na tentativa de cuidar de mim nesse frágil momento: A primeira, de que não fomos criados para morrer; a segunda, de que todo sepultamento nos provoca ao espelhamento da nossa própria finitude.
No livro do Eclesiastes, livro da Bíblia que traz reflexões sobre a vida e a morte, traz-nos que o Criador nos fez com eternidade dentro de nós (cap. 3 verso 11); não nos quedamos à morte, queremos a vida. Fugimos daquela e agendamos constantemente esta.
Cada velório sepultamos um pouco de nós. A terra que é jogada no ritual da despedida é o ensaio daquela que nos espera.
terça-feira, 7 de julho de 2015
quarta-feira, 29 de abril de 2015
DO APITO DO TREM
Ouvi agora há pouco um apito do trem...
Apito de trem apita minha infância...
EFVM-Estrada de Ferro Vitória a Minas.
Caminho entre dormentes a catar bolinhas
de minério para brincar de estilingues...
Tiro ao alvo. Não gostava de matar passarinhos.
Apito de trem apita viagem. Férias. Cheiro de mar.
Apito de trem apita amizades de viagem.
Batepapo, flertes, paixões do verão...
Apito de trem apita casa do vovô,
irmãs, cunhados e sobrinhos...
Apito de trem apita movimento, mudanças,
sem sair dos trilhos...
Apito de trem apita aventuras !
Apito de trem apita minha infância...
EFVM-Estrada de Ferro Vitória a Minas.
Caminho entre dormentes a catar bolinhas
de minério para brincar de estilingues...
Tiro ao alvo. Não gostava de matar passarinhos.
Apito de trem apita viagem. Férias. Cheiro de mar.
Apito de trem apita amizades de viagem.
Batepapo, flertes, paixões do verão...
Apito de trem apita casa do vovô,
irmãs, cunhados e sobrinhos...
Apito de trem apita movimento, mudanças,
sem sair dos trilhos...
Apito de trem apita aventuras !
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015
Noites e Nostalgias
As noites refrescam o dia... por vezes, aliviam a alma...
Como bem afirmou uma amiga: "Noites nostálgicas, tantas lembranças...
a saudade só faz apertar... orgulho de minhas origens..."
Como bem afirmou uma amiga: "Noites nostálgicas, tantas lembranças...
a saudade só faz apertar... orgulho de minhas origens..."
quinta-feira, 8 de janeiro de 2015
MUTATIS MUTANDIS
Longe de fazer elucubrações jurídicas a partir da expressão em latim do título, antes contudo, fazendo uso da motivação que nos projeta tais significados para a expressão, por ora emprestada, "mudando o que precisa ser mudado"... e plagiando o conhecido escritor "mudar é preciso..."
O que nos faz mudar? Ou o que nos faz pensar que precisamos mudar?
O que nos intrínseco: a vida vivida nos faz mudar. Por vezes, nem queremos. Mas a biologia e o seu relógio nos faz mudar. Crescimento é mudança: com ganhos e perdas.
O que nos é extrínseco: a percepção da história, as decisões que tomamos, as relações que abraçamos e as que deixamos de abraçar.... O tempo e o olhar o tempo nos faz mudar.
Mudar sempre nos trará ganhos e perdas. Decidimos qual será o foco. Se for as perdas, a vida poderá se tornar saudosista...
Se a decisão do foco for a esperança de rumos refeitos e re-sonhados através de mudanças experimentadas, entao... mutatis mutandis.
O que nos faz mudar? Ou o que nos faz pensar que precisamos mudar?
O que nos intrínseco: a vida vivida nos faz mudar. Por vezes, nem queremos. Mas a biologia e o seu relógio nos faz mudar. Crescimento é mudança: com ganhos e perdas.
O que nos é extrínseco: a percepção da história, as decisões que tomamos, as relações que abraçamos e as que deixamos de abraçar.... O tempo e o olhar o tempo nos faz mudar.
Mudar sempre nos trará ganhos e perdas. Decidimos qual será o foco. Se for as perdas, a vida poderá se tornar saudosista...
Se a decisão do foco for a esperança de rumos refeitos e re-sonhados através de mudanças experimentadas, entao... mutatis mutandis.
sábado, 19 de julho de 2014
DESPEDIDA
Despeço-me de mais uma vida que passou pela minha vida.
Morreu Rubem Alves, Teólogo, poeta, escritor (também de literatura infantil),
educador, além disso tudo, humano e apaixonado pelo que é humano.
Com visão psicanalítica da vida, facilitava-nos a percepção de nós mesmos.
Por uma aula de Teologia Contemporânea nos tempos de graduação, proporcionada
pelo seu colega de formação (Oadi Salum), meu então professor;
Por uma noite em que saiu com alguns alunos veteranos do curso de Teologia para uma pizza;
Por algumas palestras ouvidas no decorrer da minha história: algumas pessoalmente,
outras "youtubeanamente"
Por alguns alguns livros autografados;
Por tantos outros lidos e relidos;
Despeço-me com raiva da morte e decepcionado com o tempo: este que nos foge
e aquela que nos atropela fortuitamente...
Citando Cecília Meireles: (O rei do mar)
"...Curta vida. Longo mar.
Por água brava ou serena
deixamos nosso cantar,
vendo a voz como é pequena
sobre o comprimento do ar.
Se alguém ouvir, temos pena:
só cantamos para o mar..."
Morreu Rubem Alves, Teólogo, poeta, escritor (também de literatura infantil),
educador, além disso tudo, humano e apaixonado pelo que é humano.
Com visão psicanalítica da vida, facilitava-nos a percepção de nós mesmos.
Por uma aula de Teologia Contemporânea nos tempos de graduação, proporcionada
pelo seu colega de formação (Oadi Salum), meu então professor;
Por uma noite em que saiu com alguns alunos veteranos do curso de Teologia para uma pizza;
Por algumas palestras ouvidas no decorrer da minha história: algumas pessoalmente,
outras "youtubeanamente"
Por alguns alguns livros autografados;Por tantos outros lidos e relidos;
Despeço-me com raiva da morte e decepcionado com o tempo: este que nos foge
e aquela que nos atropela fortuitamente...
Citando Cecília Meireles: (O rei do mar)
"...Curta vida. Longo mar.
Por água brava ou serena
deixamos nosso cantar,
vendo a voz como é pequena
sobre o comprimento do ar.
Se alguém ouvir, temos pena:
só cantamos para o mar..."
sexta-feira, 27 de junho de 2014
O QUE NOS INSPIRA?
Inspiração... será intrínseco ou extrínseco ao que escreve?
O que será a coisa que nos impulsiona a produzir textos?
Algo que está dentro de nós ou fora de nós?
Outro dia ouvi de uma artista plástica que é ruim produzir desenhar algo sob encomenda, pois sabe que essa obra irá ser levada embora: é produzir com o sentimento antecipado da perda.
Mas aqui nesse espaço não há encomenda. Não há perda. Não há limites de produção.
Em tudo que escrevi por aqui, o fiz pra mim. O fiz pra compartilhar. Compartilhar sentimentos e percepções; lembranças e saudades; esperanças e frustrações; medos e sonhos...
Os textos vêem de coisas internalizadas, vêem de desejos do outro, vêem dos encontros e desencontros de ambos.
Sentir é bom, melhor é dar palavras aos sentimentos.
Escrever é bom, melhor é dar sentimentos ao que se escreve.
O que será a coisa que nos impulsiona a produzir textos?
Algo que está dentro de nós ou fora de nós?
Outro dia ouvi de uma artista plástica que é ruim produzir desenhar algo sob encomenda, pois sabe que essa obra irá ser levada embora: é produzir com o sentimento antecipado da perda.
Mas aqui nesse espaço não há encomenda. Não há perda. Não há limites de produção.
Em tudo que escrevi por aqui, o fiz pra mim. O fiz pra compartilhar. Compartilhar sentimentos e percepções; lembranças e saudades; esperanças e frustrações; medos e sonhos...
Os textos vêem de coisas internalizadas, vêem de desejos do outro, vêem dos encontros e desencontros de ambos.
Sentir é bom, melhor é dar palavras aos sentimentos.
Escrever é bom, melhor é dar sentimentos ao que se escreve.
sexta-feira, 2 de maio de 2014
CAUSOS DE CAPIAU: AQUELA DE QUANDO QUEBREI O BRAÇO
Já faz alguns meses que não conto causos. Outro dia um amigo arguiu-me a respeito: "não vai contar mais casos? " Não sei explicar da motivação dos outros causos... sei desse. Pelos amigos que curte me ler.
Tenho muitos casos. Morei no interior. Mudei muitas vezes. Fiz muitas amizades... das amizades surgem causos, da família surgem causos, de nossa história... que é a união de vários causos.
Nem todos são engraçados, nem todos felizes: mas todos são família, são amigos, são vida. Mesmo os que lembram o dia dos machucados.
Minha família de origem é aquela intermediária: nem tão grande, como nas décadas de 20, 30 ou 40; nem tão pequena como nos anos 80, 90 ou nos dias de hoje. Plagiando um escritor, "éramos 6" , um morreu de meningite antes de fazer um ano.
Próximo da minha casa (sítio), numa distância de tiro de espingarda, morava a comadre da minha mãe, casada com um irmão de meu pai (por parte de pai). Meus tios tiveram mais filhos que lá em casa. Alguns regulavam idade com a gente. No dia desse causo, tinha eu uns 4 ou 5 anos. Assim, o caçula de lá é um ano mais velho que eu. Próximo da idade do meu irmão há primos e primas. A amizade coexiste pelos laços consanguíneos.
Era uma manhã de sol, fim da primavera, perto do verão: as mangueiras carregadas pintavam de amarelo o chão do quintal. "Seu" Crioulo, todas as manhãs, alimentava os porcos com a doce fruta. Já contei do "seu" Crioulo aqui.
Com o canto do carro de boi, já pensei nos primos que chagavam pra visitar: as comadres precisavam "tricotar", e enquanto isso brincavam os primos. Corri mais que o vento pra me encontrar como carro antes mesmo dele cruzar a porteira, assim podia vir com eles fazendo a festa da chegada, cruzei um pasto pra atalhar e chegar na estrada. Correndo atrás do carro de boi, estendi a mão, como que solicitando ajuda pra subir, e queria fazê-lo em movimento: é mais excitante.
O caçula dos de lá, estendeu a mão e eu confiei o meu peso e o meu salto. Acho que com o empuxo, ele não aguentou. Deslizei do meio do meio do caminho para o chão. Quis girar o corpo pra não cair de costas, quebrei o braço direito em três lugares.
Esse só foi dos muitos tombos que tomei.
Nos dois sentidos da palavra.
Tenho muitos casos. Morei no interior. Mudei muitas vezes. Fiz muitas amizades... das amizades surgem causos, da família surgem causos, de nossa história... que é a união de vários causos.
Nem todos são engraçados, nem todos felizes: mas todos são família, são amigos, são vida. Mesmo os que lembram o dia dos machucados.
Minha família de origem é aquela intermediária: nem tão grande, como nas décadas de 20, 30 ou 40; nem tão pequena como nos anos 80, 90 ou nos dias de hoje. Plagiando um escritor, "éramos 6" , um morreu de meningite antes de fazer um ano.
Próximo da minha casa (sítio), numa distância de tiro de espingarda, morava a comadre da minha mãe, casada com um irmão de meu pai (por parte de pai). Meus tios tiveram mais filhos que lá em casa. Alguns regulavam idade com a gente. No dia desse causo, tinha eu uns 4 ou 5 anos. Assim, o caçula de lá é um ano mais velho que eu. Próximo da idade do meu irmão há primos e primas. A amizade coexiste pelos laços consanguíneos.
Era uma manhã de sol, fim da primavera, perto do verão: as mangueiras carregadas pintavam de amarelo o chão do quintal. "Seu" Crioulo, todas as manhãs, alimentava os porcos com a doce fruta. Já contei do "seu" Crioulo aqui.
Com o canto do carro de boi, já pensei nos primos que chagavam pra visitar: as comadres precisavam "tricotar", e enquanto isso brincavam os primos. Corri mais que o vento pra me encontrar como carro antes mesmo dele cruzar a porteira, assim podia vir com eles fazendo a festa da chegada, cruzei um pasto pra atalhar e chegar na estrada. Correndo atrás do carro de boi, estendi a mão, como que solicitando ajuda pra subir, e queria fazê-lo em movimento: é mais excitante.
O caçula dos de lá, estendeu a mão e eu confiei o meu peso e o meu salto. Acho que com o empuxo, ele não aguentou. Deslizei do meio do meio do caminho para o chão. Quis girar o corpo pra não cair de costas, quebrei o braço direito em três lugares.
Esse só foi dos muitos tombos que tomei.Nos dois sentidos da palavra.
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