quarta-feira, 21 de outubro de 2026

PALAVRAS VS SILENCIO

 O  silencio, por vezes nos salva: nos salva de magoar o outro; nos salva de sermos descobertos...

O silencio do outro pode nos trazer punições do que foi mal-dito, onde deveria ser bem-dito....

Palavra pode ser libertadora, marcando encerramentos e novos inícios.

Um sábio judeu escreveu "A palavra dita a seu tempo são como maças de ouro em cesto de prata". 

Valores e cores na proposta de verbalizar verdades sinceras em tempos oportunos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

A morte e o apagar das luzes

Próximo dos meus nove anos, já próximo de conceber o conceito definitivo sobre a morte, tinha pesadelos horríveis com a minha mãe "indo embora".Um desses sonhos, repetidos até, era que ela pegava o trem e eu ficava pra trás, na plataforma da estaçao... acordando desesperado, corria para quarto dela... nem sei se buscando o alento ou mesmo pra confirmar que ela estava viva... só sei que ela acolhia em seu colo... e dizia: calma, Saulzinho, é que "você está crescendo".

Com o tempo, e as perdas reais fazendo parte dos ciclos, mortes naturais ou trágicas, me vi contornando aqueles sonhos...

Me percebia na plataforma do trem da vida me despedindo de gente importante pra mim... 

E se o amor e a aproximação, a convivência com gente que aprendemos a amar nos ilumina para o caminhar da história, sejam eles parentes ou não, perdê-los é apagar um pouco da história.

Aprendi que quando alguém da gente morre, morre um pouco de nós mesmos.

Os personagens, o filho, o amigo, a marido... esses não farão sentido se a pessoa que recebe essa atuação do personagem não existir mais...

Correndo o risco de aumentar a melancolia do que escrevo agora, quanto mais velho ficamos, menos luz haverá !! Ah, você pode dizer: "arranje outros amigos" , ou "case-se de novo"...

A saúde mental desse tempo não é tentar substituir, mas sim, mas aprender a viver em sombras... na diminuição das luzes...

domingo, 30 de março de 2025

A ESSÊNCIA DE NÓS - UMA BUSCA

A mais de 15 anos atrás comecei esse blog para o extravasamento dos excessos: se muito feliz ou muito triste, tinha inspiração para escrever. Talvez tenha vivido uma certa plenitude com equilíbrio durante um tempo... não escrevi muito ultimamente.
Agora, de voltas as crises, vamos ao questionamento que me é peculiar: quem sou eu, hoje? Ou, qual a minha essência? Quem sou  eu, desde sempre? O que nunca mudou e o que nunca mudará? 
O quê, em nós, é a soma dos personagens sociais? O que resta de mim, extraindo os papéis impostos ou aqueles que decidimos assumir no palco da história ? Papéis estes que se avolumam de tal forma em nossa existência, sufocando a essência, isto é, aquilo que sou pra mim e por mim.
O quanto somos para os outros? Sou, para o sorriso e o conforto dos outros. Sou o ideal projetado do outro, então, sou a limitação do que esse espera de mim. 
Não importando toda a construção do quase sexagenário que sou, curioso, no entanto, em conhecer a mim mesmo, neste aspecto, buscando uma percepção do eu narcísico de quando nascemos: Quem é o que resta de mim?



domingo, 5 de junho de 2022

O AMOR NO LUTO

por Karoline Reis

    No luto há amor. Muito amor. E no luto também há beleza. Quando eu falo isso, as pessoas me olham estranho, eu sei. Dizem ou pensam "como pode ter beleza numa dor tão grande? Num processo de tristeza sem explicação?"

⠀⠀A gente não deixa de amar quem tem uma grande valência pra nós. E dentro do amor há muita beleza. Há muitas emoções lindas e há muita saudade. Saudade é sinônimo de "tudo valeu a pena". A gente só tem saudade do que ou quem foi muito importante pra nós, do que fez nosso coração vibrar de alegria.
⠀⠀Então, como não sentir beleza e amor nisso? Como deixar de enaltecer a pessoa que já não está mais aqui de corpo presente, mas que está mais viva do que nunca em nossa história, em nossas memórias, em nossos valores, em nossa vida? É egoísmo da nossa parte só pensar no luto como tristeza profunda e dor. Ele também traz muitas ressignificações. Mas tudo isso não anula a dor que é passar por uma grande perda. Uma coisa não anula a outra. É tudo junto e a gente não se permite sentir tudo o que vem pra aprender a deixar ficar o tempo que precisa ficar.
⠀⠀As pessoas acham que o luto é só tristeza. É só aquele peso. E não é! Não é, gente. Tem dias que é desesperador, que encarar a realidade como ela verdadeiramente é, é amargo, é sofrido, dói o corpo inteiro. Dói a alma. Simplesmente dói demais. Mas tem dias que é pura emoção, pura saudade, uma nostalgia gostosa se relembrar as histórias e as memórias.
⠀⠀Mas nós, em nossas cobrança excessiva, queremos passar por isso rápido e encontrar "fórmulas magicas" pra desconstruir algo que foi enraizado em nosso coração. Não tem um caminho mais fácil ou mais rápido, a gente precisa sentir mesmo.
⠀Hoje eu acordei pensando muito na minha mãe. Todos os dias eu penso nela, tem dias que é menos, tem dias que é mais. E é assim com tudo em nossa vida. Lições que o luto e minha mãe tem me ensinado: a respeitar o meu tempo. Nosso tempo é só nosso. Cada um tem o seu. Cuide ele. Respeite esse seu tempo. Ele tá aí pra te ensinar, pra te ajudar e pra que você tenha a paciência de deixar fluir...
✨️
⠀
Mãe, obrigada por tudo. A tua falta é inexplicável, é sem fim. Te amo 🤍

quarta-feira, 2 de março de 2022

Morte: a minha, a sua e a deles

 Morte: a minha, a sua e a deles

Isso mesmo! Ela é nossa! Sem que nos apossemos dela, sem que ela esteja em nossas agendas, sem sequer que a convidemos a fazer parte da nossa história, torna-se a presença mais certa, mais garantida, mais invasiva dos nossos dias.
Longe de um tratado tanatológico, quero discorrer apenas para ajudar algumas pessoas em luto. Gente que eu amo, e acabo por me enlutar junto.
Vivi uma entranha relação com a morte em minha formação. Tinha pouco mais de 2 anos de idade quando minha irmã primogênita enviuvou-se de seu primeiro marido... claro que não tenho lembranças disso, mas não tenho dúvidas que a energia que perpassava nas relações familiares em que eu estava inserido atravessou também minha existência. Passou a fazer parte de mim. Alguns anos depois essa perda passou a ser um segredo na família: não sei se pela linda chegada do marido (um irmão mais velho pra mim) que seria companheiro até aos dias de hoje, ou se pela forma estranha da morte...
É, a morte menos agressiva é aquela que chega e nos dá tempo de despedir ! De preferência, leva aqueles que estão de "hora extra" , longevos, com diagnóstico crônico, temos o alívio de dizer : "descansou"...
Nasci "orfão" de vó materna: a conheci pelos olhos de meus pais. Na infância conheci pessoas que aceitavam encomendar a morte de outros, aprendi que matavam gente ruim... faziam por dinheiro e, as vezes, até por amizade. Via nessa fase um paradoxo, algumas dessas pessoas eram tão amáveis e queridas... Na adolescencia, amarguei a morte dos meus avós paternos, e depois o avô materno... parece que os vovôs e as vovós estão na cabeça da fila... se ninguém furar essa fila, são eles que primeiro perdemos... depois, já casado, perdi meu pai... me senti órfão tão jovem... sou o caçula... essa é a desvantagem dos caçulas... vivem menos com os pais...
Perdi minha mãe há 10 anos... e ela é tão viva em mim... O meu pai também... vivo, inclusive, para aparecer nos meus sonhos...
E como uma cereja num bolo confeitado, existe o fato do meu ofício me levar pra velórios de gente que nem conheço... são amados de quem amo, de quem cuido. Às vezes até de gente que não conheci ninguém... E nenhuma das vezes que experimento essa difícil tarefa, deixo de sofrer.
Sofro por acompanhar o definhamento da vida, ao ver minimizada as energias, a beleza, o sorriso, o corpo... e por aí vai...
No entanto, a morte que nos viola, que nos transgride, que estupra a alma, é aquela que nos separa de gente jovem ou daqueles que ainda tínhamos agenda. Dessa forma, é surreal sepultar um bebê, um adolescente, um jovem com menos de 30 anos, alguém que se aproximava dos 50... busca-se até uma resposta espiritual para uma injusta separação, há quem diga que os que foram fora do tempo ficarão ainda nesse dimensão, uma missão ainda os espera.
Respeito esse pensar, no entanto, meu texto sagrado me faz pensar diferente. Há uma morte que nos faz lembrar uma ruptura com o Eterno. O Criador do tempo e Senhor dele colocou um dispositivo de desejo de não morrer, e experimentar essa morte é nos espelhar constantemente. É ver a nossa própria finitude no outro.
Quando a morte nos separa de quem amamos, então o viés do sofrimento é o desagendamento com o que morreu. É não ter projetos com ele... é não tomar mais cafés juntos. É não poder pedir perdão mais daquilo que guardava para hora oportuna.
Um sábio escreveu no Eclesiastes (Bíblia) que a hora de um velório é melhor que a hora das festas...
Não entendo a morte, difícil é aceita-la, meio louco é a fala do sábio: mas o que tenho entendido nesse quase meio século de vida é que é, está e sempre nos visita. E pelo sofrimento, amadureço e vivo! Que Deus abençoe todos os enlutados !

A VIDA E SUAS NUANCES

por Sara Boechat dos Reis

...a vida...

Assusta !

Emociona !

Inspira !

Quebra !

Ensina !

Refaz !

Refaz...

Refaz...

Medo, dor, saudade,

e não anestesio nada disso !

Memória, amor, saudade ...

abracei a criança que existe em mim !

Vazio, normalidade,

no reflexo, me olho com carinho...

É sobre mim e as pessoas que guardo em mim !

But, who am i?


Ilustração : "Galáctea das esferas", de Salvador Dali


quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

SEGUNDAS CHANCES: algumas linhas de um recasamento...

Algo que nunca foi idealizado, sonhado, esperado pra vida da gente, mas... recasei e o fiz para mim !

A gente não precisa esquecer o passado nem fingir que ele não existiu. Sim, pessoas passaram pelas nossas vidas. Nós já falamos 'te amo' para alguém, já fizemos planos e promessas. Nós já acreditamos em alguém e pensávamos poder ser aquela a pessoa da nossa vida. Negar tudo isso não mudará nosso passado. É nossa história!

Mas agora vem a parte mais importante: Nós somos o presente. Se choramos tanto por alguém, se acreditamos e nos ferimos, imagine só o quanto somos fundamentais um para o outro.
Por esse novo decidimos arriscar novamente, por um novo nós buscamos forças, e um com o outro descobrimos algo ainda não conhecido: com ninguém.
A gente não precisa negar, nem esconder o passado, precisamos, sim, de sinceridade um com o outro. Aprender com a história é diminuir os riscos com o presente...
Porque se tem algo que sabemos é que chegamos forte um pra o outro... foi intenso.
As dores e promessas quebradas? Isso pertence a outra época, um tempo onde nosso sofrer nos acrisolava um para o outro.
Nós não somos nosso passado, mas podemos usar dele para prevenirmos nosso futuro. E o que queremos hoje sobre nosso futuro é que estejamos juntos e misturados.
E hoje nem é aniversário de nada e nem de ninguém ! Achei um texto legal, fiz umas pequenas mudanças pra ficar com a cara da história do Saul & Rosangela, e pronto!













Texto adaptado: @felipe_sandrin / Dea e Jal