terça-feira, 23 de agosto de 2011

A NECESSIDADE DE PERDOAR

por Weverton Santiago


Perdoar é uma virtude que requer muito treinamento.


Exercitar o perdão é primeiramente experimentar a dor da decepção e a amargura dos sentimentos. É entrar na escuridão das incertezas e palmilhar o caminho sinuoso.
Este treinamento não é a roupagem do cinismo, não é a robotização das nossas emoções, muito menos a mecanização do amor.
[O perdão] ...serve justamente para pavimentar o caminho do amor e da compreensão.
Em minha precoce caminhada, experimentei na carne todos estes horrores.
Vivenciei as profundas agonias da traição, do abandono, do desprezo, do medo, da dúvida e outros sentimentos que aprisionaram a minha alma.
Fui ferido e também feri. Fui tomado pelo ódio e pela impaciência.
Então, comecei a exigir a perfeição que nem mesmo eu conhecia e ainda não conheço.
Fui tentado a desistir e convidado a cultuar o luto crônico em meu coração.
Fui intimado a celebrar a mágoa, o rancor e a vingança.
Enquanto calei, minha essência foi desconfigurada, meu espírito foi esmagado, minha face se apagou, minha existência foi petrificada e meu interior se tornou uma reserva avolumada da desesperança e da solidão.
Minha vida ficou sem sentido, meu mundo desabou e quando acordei estava andando sobre uma fina camada de gelo, pronta para romper-se e tragar-me para sempre.
Tudo isso me conduziu a uma estrada desconhecida, a um abismo sombrio, onde somente o eco das batidas sofridas do meu coração era percebido.
Este caminho é doloroso, é cruel, é uma fornalha que voluntariamente aflige a nossa alma e nos cega diante do calor da nossa própria maldade e mesquinhez.

Mas em meio a este quadro nebuloso, em meio a este mar revolto existia uma gota cristã, e esta venceu o bravo e incontrolável mar.
Um pequeno pingo encharcou a minha vida de doçura e graça que eu desconhecia.

Decidi trilhar o caminho da reconstrução e da restauração.
Decidi recuperar o tempo perdido e permitir que aqueles que me machucaram voltem a fazer parte da minha história e da minha nova caminhada, bem como receber a permissão de caminhar de mãos dadas com aqueles que eu também machuquei.
Decidi transformar as minhas ranhuras em belas sinfonias de amor e júbilo.
Decidi transformar o meu pranto em ações de graças.
Decidi transformar os meus traumas em lições.
Decidi tratar as pessoas como Cristo me trata, com graça e misericórdia.
Decidi colocar um ponto final na guerra que eu mesmo criei e declarei contra inocentes e culpados.

Quero a paz e a paz é consequência de quem aprendeu o sublime exercício do perdão.
Perdoar e ser perdoado, e assim, celebrar a vida, a graça, a doçura do evangelho e o brilho cristão em minha face, pois esta prática embeleza a alma e lança luz em nosso caminho.
E mesmo que as pessoas voltem a me machucar e eu as machuque, quero continuar com elas e por elas, para que a minha breve vida não seja manchada pela minha vaidade e escravizada pelo ódio que, homeopaticamente, produz separação e morte.
Na força do Evangelho da Graça eu quero caminhar quantas léguas forem necessárias, para que juntos sejamos um só corpo, naquEle que muito nos amou!

SOLUS CHRISTUS !!!
SOLI DEO GLORIA !!

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