quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Dúvida !


Uma vez uma pessoa querida de chamou de "irreverente" me comparando à um artista de cinema: até hoje não sei se era um elogio ou uma crítica... prefiro pensar que era elogio.
O conceito de dúvida se contrapõe ao de certeza; e são excludentes.
A vida é mais encharcada de dúvidas do que de certezas; ainda assim, insistimos que felicidade está nas certezas.
Mas nas dúvidas também não há felicidade!
Será que a felicidade é utopia?
Penso que a felicidade está também no equilíbrio entre as dúvidas e as certezas...
Enquanto amo, tenho dúvidas que o objeto do meu amor será sempre disponível ao meus afetos.
Enquanto desejo, tenho dúvidas se terei prazer ao satisfazê-los.
O movimento pra diante da dúvida no experimento da certeza é que me leva à uma "felicidade".

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A MÚSICA & EU

por

Sara Boechat

Muitas coisas acontecem.

Meu coração foi capturado pela música; e em mim cresceu a essência dela; reestruturei-me agora baseada no que ela me trouxe; minha visão
ampliou de forma que consigo ver coisas que antes não via; tudo agora tem seu andamento, seu tom principal, seu tempo forte, seus graus da escala, algo regendo aquele trecho.

O rock é regido pela platéia, uma musica Erudita (clássica) é regida por um maestro, quem rege um carro no trânsito são os outros carros, o regente do mar e o balanço das árvores é o vento, quem rege uma família é o respeito/amor, quem rege você tocando violão no quarto sozinho é o coração.

Aprendi que para ser musicista tem que ser humilde quando for falar de música porque nem todos têm a oportunidade de experimentar, é preciso se esforçar, você aprende que tem que ser persistente, tem que conhecer o que faz e até aonde pode fazer, você conhece seu limite, descobre o que tem dentro de você e que deve expulsar, vê que sempre tem algo novo pra aprender, e que hoje você toca a musica ‘x’ mas se
amanhã for tocar de novo com a mesma partitura não vai tocar igual, nunca vai sair igual.

Duas notas diferentes combinam. Três notas podem formar um acorde, uma harmonia e notas soltas dentro na escala formam uma música.

Tocar sem sentimento é a mesma coisa de comer sem fome.

Quando digo ‘’amo música’’ estou dizendo que amo muito mais além do que o substantivo ‘música’.

Cada músico nasce com uma parte mais aguçada, alguns nascem pra compor, outros pra dar aulas, outros pra ritmo, alguns pra fazer arranjos & etc.

Não canso de agradecer á Deus por ter colocado música na minha história, a melhor musica que já SENTI foi Ele em meu coração no dia que o aceitei, não tem maior alegria.

O único objetivo quando se toca alguma música é que fique bonito pra quem ouve, se o objetivo não for cumprido, de nada vale!

Eu quero viver de música, porque isso me faz feliz, e sei que é uma felicidade que não acaba.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

RAPIDEZ


Rápido é o tempo...e foi...
Cruel é o tempo, resvala-se pelos dedos dos anos;
E nas mãos do tirano, nos rouba preferências e
épocas, sonhos e fantasias, amizades e paixões,
afetos e amores : e as coisas se vão... e não voltam!

Que rapidez... e foi!

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

CONCEITOS X ATO DE CONCEITUAR


Significado e o significante = dar nome ás coisas e coisificar os nomes...

Talvez por isso seja tão complexo falar do amor: ele é sujeito e objeto ao mesmo tempo...
o amor é metafísico e racional, é abstrato e concreto na dimensão experimental do ser.

O apóstolo João escreveu na Bíblia que a essência da divindade judaico-cristã é amor!
Santo Agostinho disse: "Ame, e faça o que quiseres".

Quem ama, não ama o amor enquanto entidade, mas ama o ente, a pessoa é quem sofre a ação de ser amada.

Amar o amor não é amar, é ensimesmar o afeto e morrer para o outro: narciso foi assim!
Mas quando não nos percebemos capazes de amar o outro, morremos: para o outro e pra nós mesmos.

Uma possível conclusão: amar é viver! O amor é a vida compartilhada!

ILUSTRAÇÃO : Miró, 1941

terça-feira, 19 de outubro de 2010

AMOR, AMAR, MORRER...


Existe uma música que diz "quando a gente ama, qualquer coisa serve para relembrar..."
Este é o grande detalhe: na evolução da letra você percebe que o amor a que se refere se perdeu, se foi, ficaram as lembranças do que foi bom, do que deu certo. Em velórios, todos os defuntos são "bonzinhos".

Um celebrante alemão disse certa vez ao casal de nubentes: "O amor trouxe vocês até a este altar; daqui pra frente, vocês vão carregar o amor, conduzi-lo."

Todos os grandes escritores; romancistas, músicos, poetas, construíram suas obras a partir de muita dor, paixões, frustrações... talvez se assim não o fosse, não haveriam as melhores obras.

Não é toa que a obra mais tocante à alma de casais, ou mesmo da pessoa humana, seja Romeu e Julieta. Até o Maurício de Souza já editou a versão do casal Romeu Montéquio Cebolinha e Julileta Monicapuleto!

Numa das maiores obras que celebram a paixão e o amor, encerra na morte de ambos...

Porque é isso! É isso mesmo! Amar é morrer...

Talvez seja porisso que o sacramento do maior amor vivido no planeta terra envolva a morte do celebrante daquele sacramento. O único de amor perfeito!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

QUANDO NÃO EXISTIR "NÓS"


Nós são complexos...
Nós limitam as cordas diminuindo o comprimento.
Nós arrocham o tecido do ser, puindo as possibilidades.
Nós inviabilizam o deslizar da liberdade existencial.

Mas...

Nós são a segurança das cargas em dividir o equilibrio;
Nós são as possibilidades das pausas no resvalar das decidas;
Nós são as marcas das medidas de uma história!

sábado, 4 de setembro de 2010

No entrosar eu e tu


A Linha e o Linho
Gilberto Gil
É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando ponto a ponto nosso dia-a-dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O zig-zag do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa, da paixão
A sua vida o meu caminho, nosso amor
Você a linha e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado
A casa, a estrada, a correnteza
O sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza


quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Continuar ou Cancelar?


A vida é construída de decisões que tomamos;
ou das consequências destas! Daquelas que amamos;
ou não!
A continuidade nem sempre é atrelado ao sentimento:
não é?!

Na infância não fazemos somente o que queremos, ou amamos;
e se o fazemos, desobedecemos; e, por vezes, sofremos...

Na adolescência, por mais rebeldes que sejamos, existem decisões
que são o que precisam SER, não o que amamos que seja.

De desejo cancelar, e o faço, abandono a trilha até aqui e me aventuro pelo
novo, pelo diferente; novidades sempre nos aguça a curiosidade
e nos propõe a aventura da adrenalina e outras sensações que nos
resgata uma juventude que o tempo nos rouba;

Se desejo continuar, e o faço, abandono a possibilidade de dobrar a esquina,
de ver quais horizontes se descortinarem numa nova visão...
Continuar é valorizar o percorrido e usar desse valor para
pisar com segurança o caminho das pedras.

Se faço o que não desejo, por vezes o faço porque busco certos resultados...
percebo assim que para continuar nas possibilidades do amor é preciso
des-amar o desejo!

sábado, 7 de agosto de 2010

Metáfora das asas


Hoje eu acordei com o canto do sabiá...
Abri a janela o ouvindo se expressar,
com sua voz linda e seu jeito de amar.

Sabiá, sabiá...
Você me faz lembrar os momentos de alegria
e esquecer os de amargura.

Joyce e Sara (aos 12 e 10 anos)

Dia dos Pais


Eu o perdi há 16 anos...

O título de temporão foi meu maior inimigo,
pois minha irmã mais velha já tinha mais de
40 anos e eu menos de 30 quando ele partiu.

levei 6 meses pra sepultá-lo, pois não tive a
oportunidade de fazer os ritos de despedida...
Me atrasei...

Numa certa noite, oniricamente, me despedi.
Foi bom, saudoso e amigável: as coisas entre
nós estavam bem resolvidas.

Depois disso, em fortes momentos de impasses,
ou intensas conquistas, produzia sonhos em que
nós estávamos juntos, felizes porisso...

Meu pai nunca morreu, ele só fugiu para os meus
sonhos...
tenho saudades dele...

quarta-feira, 2 de junho de 2010

A DOR


A ciência afirma ser a dor uma condução neural de compostos químicos responsáveis pelos estímulos físicos...

Já existe medicina da dor: ninguém merece ficar sentindo dor...

Mas e as dores estimuladas pelo que não é físico?

As dores da alma? As dores da perda? As dores da frutração? As dores do amor?
A profilaxia é mais fácil do que o tratamento...

Métodos profiláticos destas dores:
1. Viva observando as coisas com menos seriedade;
2. Procure observar, perceber e verbalizar todas as coisas positivas de TUDO que ocorre ao redor (se não conseguir, peça ajuda aos que têm facilidade);
3. Ame quem te ama, se permita ser amado;
4. Abraçe e seja abraçado;
5. Beije e seja beijado;
6. Tenha relações íntimas com compromisso do prazer de ambos;
7. Conheça lugares novos, por fotos, inclusive;
8. Valorize os que estão vivos: próximos e distantes;
9. Valorize a memória dos que já partiram: veja fotos, conte histórias, provoque risos...
10. Tenha consciencia de que viver dói... mas é bom demais!!

TRATAMENTO:
Espere... o tempo é o melhor remédio, ainda que o pior inimigo!
Ilustração de Gustavo Rodrigues

Quando não há poesia...


Um sol que se esfria...

Uma lua que não reflete.


Uma flor que já não cheira,

Pétalas que não se sustentam.


Fazer carinho em alguém que não existe mais...

Pensar as feridas do já olvidado.
Ilustração de Gustavo Rodrigues http://gustavorodrigues.deviantart.com/gallery/

O que é poesia?


Poesia é arte de escrever em versos; é um gênero de composição; é uma elevação de idéias... mas estes são conceitos do dicionário.


Poesia é o raio X da alma. Poesia é a fala das emoções. Poesia é o grito dos afetos no vale das emoções fazendo o eco dos sentimentos.


Poetizar é aliviar a dor e intensificar a alegria.


Fazer poesia é abrir o espaço para sentir.


Ler poesia é se permitir abstrair-se da rotina que massifica e das relações que nos aprisionam.
O poeta é aquele que pariu com um coração uterino. Um coração que reteve o que possui, e que é possuído por aquilo que tem dentro de si... coração uterino coloca pra fora...

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O alívio de uma dor


Pra cada dor há um alivio:
Um analgésico, um carinho...
Uma injeção ou um "estar sozinho"...

Nunca desejamos a dor.
Ela é inconveniente e intrusa.
Diante dela não há que se interpor

Buscamos alívio pras dores.
Das dores d'alma, indispensável se torna
o alívio buscado coletivamente.
Mesmo que o outro não esteja comigo,
ele sabe que "está doendo"...

Uma vez levei minha filha ao médico,
ela dizia que estava com dor nos olhos.
O oftalmologista disse que o nervo
ótico doía por causa do crescimento...
a dor iria passar com o tempo.
Tem dores assim:dói_cresce_dói_cresce....

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

TÃO RÁPIDO


do amigo Júlio Ribeiro

Tudo foi tão rápido, que ainda resta na boca a palavra não dita,
o beijo de ontem, o gosto de instantes.

Repousa sobre a mesa um poema inacabado,
e um pouco de vinho da última inverna.

O que fazer das brasas que ainda queimam?
E dos relógios que teimam em dizer que a vida segue?

O que fazer dos livros não lidos, e dos segredos retidos
em cartas não enviadas?

Tudo foi tão rápido que o vento ainda sacode as cortinas,
e faz ranger a porta mal fechada.

A casa recende à café passado,
e o cão ainda espera o passeio...

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Minhas inspirações


O que nos inspira?

A expressão é intrigante: não é o que está dentro de nós...
É o que nos tem dentro de si... nos inspirou...

O que é, não de mim... é do que me inspira...

O que nos inspira?
a memória...
dos sentidos: do que vi, ouvi, cheirei, toquei, do que do gosto tomei...
da percepção dos afetos: do que amei ou odiei...
da delícia das relações: as que eu escolhi e outras que não foram de minha escolha.


ilustração:

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

PRA QUEM ?











Isto é a primeira coisa que escrevo em 2010...

A pergunta que faço auxilia nas decisões que vamos tomar:
pra quem somos o que somos?
Ou pra quem fazemos o que fazemos?

Sem discursos metafísicos ou dogmas teológicos,
Nossa humanidade se constrói a partir do outro
e da nossa relação com esse "outro".
Referências afetivas e existenciais a partir do útero.

Somos os elogios e os desagrados dos nossos entes parentais.
Somos o cumprimentos de profecias de nossos pais
e ou aqueles que exerciam força psiquíca em nossa formação.

Nesta verdadeira "sopa" do que sou e do devir,
pergunto quem sou pra me achar e buscar a ser em mim.
Ser pra mim, em primeiro...

E coisas que faço? Faço pra quem?
Faço pra mãe que me troca e cuida da continuuidade de ser;
Faço pra o pai que espera que eu seja o cumprimento
de missões inacabadas ...

Mas o que quero é fazer pra mim...
Mim quem?
Fazer o que?